Em terapia conjugal vão aparecendo casos de infidelidade tanto por parte dos maridos como por parte das mulheres. O que constitui um ato de infidelidade, não é algo objetivo, mas depende, em última análise, dos valores dos clientes. Por exemplo: “apenas” envolvimento sexual, apaixonar-se sem ter tido relações sexuais, beijar-se, etc., etc.. Pode dirigir-se ao consultório, alguém que descobriu que o cônjuge é infiel, mas este não quer aparecer numa primeira fase. Pode ao contrário aparecer alguém, que tem um/a amante (o cônjuge não sabe) e está “confuso”. Neste caso, costumo perguntar quantas alternativas vê, resposta “duas ou ficar com minha mulher ou com a amante”. Digo: “vejo mais duas alternativas. 3) não ficar com ninguém, 4) continuar assim em dois carris com cônjuge e amante, simultaneamente”. Se pergunto qual das quatro alternativas exclui à partida, obtenho muitas vezes surpreendentemente a resposta “andar em dois carris, porque isto dá cabo de mim”. Por fim, são também os casais, onde um cônjuge foi infiel, que se dirigem ao consultório. Se o casal consegue assumir este acontecimento como um problema do casal, tem um bom prognóstico de vencer a crise. Até pode constituir um desafio para um novo relacionamento conjugal, que seja qualitativamente melhor.