Considerada pela OMS como a “epidemia do terceiro milénio”, a obesidade constitui um grave problema de saúde pública e, atendendo à sua caracterização e etiologia multifactorial, tem merecido atenção e estudos de diversas áreas de especialidades, em particular da psiquiatria e da psicologia.
Porque é que o excesso de peso e as patologias daí decorrentes, a evidente deformação corporal perante os padrões estéticos vigentes, a critica e o preconceito social, não são dissuasores de um comportamento auto-lesivo?
Quais as razões deste comportamento e quais os motores para a sua mudança?
Não existe uma “causa” simples e única para a obesidade, assim como não existe a obesidade enquanto diagnóstico único. Existem “obesidades”, ou seja, são inúmeras as causas das alterações do comportamento alimentar. Se não há um perfil psicológico definido para a obesidade, é um facto que a população de obesos apresenta associação elevada com outros problemas psicológicos, como depressão, perturbação de personalidade, ansiedade, baixa auto-estima, dificuldade nas relações interpessoais, acentuada dificuldade na resolução de problemas, tornando-se fundamental o diagnóstico precoce da presença da compulsão.
O tratamento da obesidade requer planeamento e estratégias adequadas por parte da equipa multidisciplinar. Os pilares são reeducação alimentar, acompanhamento médico, actividade física e acompanhamento psicológico.
O papel do psicólogo é, naturalmente ajudar o paciente obeso e, paralelamente, facilitar o estabelecimento das melhores condições para a intervenção dos restantes elementos da equipa, em particular do médico, nos casos de intervenção cirúrgica.
O desafio da psicoterapia perante o quadro da obesidade tem o seu enfoque no controle do comportamento alimentar, na identificação dos factores condicionam a relação patológica com a comida, na dificuldade de resolução de problemas que estes pacientes apresentam e nos sentimentos com eles relacionados. Facilitando ao paciente uma maior consciência de si, deve ser promovido o equilíbrio emocional e a aquisição de habilidades sociais que lhes permitam melhorar substancialmente a sua qualidade de vida.