A gestão de pessoas, a atração e a motivação do “talento” hoje, não se faz como se fazia há 20, 10 ou mesmo há 5 anos atrás. A geração X era dominada pelos “carreiristas”, cujo foco principal era terem um bom emprego, uma ascensão de carreira vertiginosa e todo um cenário materialista consistente, com uma montra da sua carreira de sucesso.  Não importava quantas horas se trabalhava porque, para ser promovido e progredir na carreira, era um esforço necessário, …uma quase uma escravatura de colarinho branco e fato Armani.

Mas a crise mudou este cenário. O desemprego aumentou vertiginosamente e a dimensão materialista levou um choque de realidade. Viver para o show off de alguma forma, começou a não satisfazer completamente os egos dos jovens que agora entravam no mercado de trabalho.

A necessidade de um meaningful job é agora uma realidade. A escravatura do colarinho branco a que as grandes empresas sujeitavam os recem licenciados  começa a definhar, as taxas de retenção baixam e a capacidade de atração deste tipo de empresas diminui.

Encontramos hoje, nos jovens candidatos ao mundo do trabalho, desejo de realização pessoal mas integrados no mundo global e que pretendem sentir que acrescentam valor com o seu trabalho, não apenas à entidade empregadora, mas à humanidade.

Como conseguir atrair os millennials, ou geração Y, e como conseguir retê-los são, actualmente, os grandes desafios das entidades empregadoras.

E muitos dos líderes das empresas (normalmente da geração X) têm ainda dificuldade em compreender que nem tudo se compra com dinheiro. Não é apenas o valor que recebem ao final do mês que motiva a geração Y, é também o work life balance, por exemplo, afinal de que serve um salário com muitos digitos se não permite tempo para disfrutar dele? Ou sendo mais dramático, uma conta bancária bem recheada não servirá de muito se se morrer aos 40 anos com um AVC ou um ataque cardíaco.

Os millennials não são preguiçosos, como alguns dizem, só não querem ser “escravizados” (haverá alguns menos motivados, obviamente, como sempre houve) mas cabe às entidades empregadores entenderem que as suas motivações estão a sofrer profundas alterações.

E também não são menos comprometidos, eles procuram experiências positivas em tudo na vida, desde a partilha de milhares de selfies à sua vivencia no emprego. E se as experiências no trabalho não são positivas eles procuram outro, sem receio de mudança daí, poderem trabalhar hoje num país e amanhã noutro, pois o que valorizam é a experiência em si, na medida esta lhes acrescenta valor.

Eles apenas não vivem para trabalhar, mas trabalham para viver, bem como para saborear e partilhar as experiências com os que os rodeiam.